Monday, 11 February 2013

CARLOS GONZAGA

Carlos Gonzaga was Brazil's most popular rock'n'roll singer in the early days (1958 to 1963) but due to his being black and already in his thirties when he went to # 1 with his Brazilian cover of Paul Anka's 'Diana' - he was never considered good enough for the covetous title of 'King of Rock'. 

Even though Gonzaga had a string of  Number One hits with 'Diana' (1958), 'Oh Carol' (1959), 'Eu canto assim' (1960) etc. when it came to being crowned as the King of Rock, only white young singers like Sergio Murilo, Ronnie Cord or Demetrius ended up being chosen instead. And that's the way it was. Here's Carlos Gonzaga's story.


Carlos Gonzaga, ou José Gonzaga Ferreira, nasceu em Paraisópolis-MG, em 10 Fevereiro 1924. Desde menino José chamava a atenção para seu talento de cantor. Em 1943, com 19 anos, transferiu-se do sul de Minas para Campos de Jordão-SP e depois para São Paulo. Em 1954, com 30 anos, Carlos assinou contrato com a RCA Victor no Rio de Janeiro, gravando o 78 rpm 80-1486, 'Anahí', célebre guarânia paraguaya vertida ao português por José Fortuna, acoplada a 'Perdão de Nossa Senhora', um tango-sertanejo composto por Palmeira e Teddy Vieira.

Nota-se pelos primeiros 78 rpms que Carlos Gonzaga fora lançado como cantor de guarânias e do 'semi-sertanejo', que estava na moda, principalmente pelo estrondoso sucesso em 1957, de 'Boneca cobiçada' com a dupla Palmeira & Biá. Diogo Mulero, o Palmeira da dupla vitoriosa, dava as coordenadas no departamento regional da RCA Victor, daí o fato de Gonzaga ter gravado tantas de suas composições.
a young Carlos Gonzaga sings accompanied by Enzo Barile at Radio Piratininga in São Paulo in 1953. Carlos was then known as José Gonzaga. Revista do Radio. Gonzaga had won a contest at São Paulo’s Radio Bandeirantes, being given a slot there for 6 months.
Circa 1953, he signed with Radio Emissora de Piratininga and stayed at the 1.200 kilohertz for 4 years. In 1957, he signed with Radio & TV Record where he stayed for another 4 years.
Buck Ram, o compositor de 'Only you' e 'The great pretender' que Gonzaga gravou como 'Meu fingimento', abraça-o em 1957, quando da visita dos Platters, de quem era empresário. 


P a s s e a n d o    n a    c h u v a 

Em seu 10o. single, 'Meu fingimento', versão de Haroldo Barbosa para 'The great pretender' (Buck Ram) do conjunto do-wop The Platters, a RCA deixa que seu contratado varie seu repertório, incluindo um semi-rock, mesmo que fosse lado B de 'Amor', outra composição de Palmeira. 'Meu fingimento', sendo versão de sucesso americano recente, tocou bem nas radios, pois no seguinte suplemento, a RCA lança 'Passeando na chuva' (Cai a chuva sem cessar, vai molhando o chão... e eu a caminhar alimento um ilusão...) versão do radialista Gioia Junior para  'Just walking in the rain', gravação de Johnny Ray, tornando-se assim o 1o. grande sucesso de Carlos Gonzaga. Me lembro que 'Cai a chuva sem cessar' tocava muito no serviço de alto-falantes da paróquia de São Sebastião em Marília-SP.
'Just walking in the rain' foi composta em 1952, por Johnny Bragg e Robert Riley, dois prisioneiros servindo tempo na Tennessee State Prison em Nashville, depois de um comentário que Bragg fêz quando atravessavam o pátio da prisão enquanto chovia. Ele disse: 'Olha aqui nós passeando na chuva e pensando o que as garotas estariam fazendo.' Riley achou que daria uma boa musica e dentro de poucos minutos o Bragg compôs a letra. Só que ele era analfabeto e pediu à Riley que pusesse a letra no papel, e assim, acabou ganhando parceria.

Bragg tinha um conjunto chamado The Prisionaires, e gravou-a para a Sun Records, tornando-se um sucesso local em 1953. Johnny Ray gravou 'Just walking in the rain', alcançando o 2o. lugar na Billboard em 17 de Novembro de 1956.
'Quisera te dizer' (It's not for me to say) 1o. longa-duração (de 10" polegadas) de Carlos Gonzaga, já mostrava que ele tomaria o caminho do rock'n'roll traduzido, afastando-se assim das guarânias e sambas rurais.

A RCA aproveitou o sucesso de 'Passeando na chuva' e lançou 'Quisera te dizer' LP de 10" contendo versões de 'Only you' (Só você) dos Platters e 'It's not for me to say' (Quisera te dizer) do Johnny Mathis, além de incluir 'Meu fingimento' (The great pretender) e 'Passeando na chuva' (Just walking in the rain).  A partir desse 10" não mais havia dúvida de que Carlos Gonzaga, que em 1957 tinha já 33 anos de idade, seria um cantor voltado para a juventude fã de rock'n'roll.
D i a n a 

Mesmo assim, Gonzaga ainda grava mais guarânias de Palmeira e Teddy Vieira, mas a partir de Abril de 1958, com o sucesso estrondoso de 'Diana', versão de Fred Jorge de um original do canadense Paul Anka, Carlos Gonzaga se torna o maior sucesso da RCA e dá adeus definitivo às guarânias, samba-canções e semi-sertanejas, muito embora o lado B de 'Diana' fosse 'Regressso', um samba-canção de (pasme!) Adelino Moreira! 'Diana', cantada em português é o disco mais vendido de 1958, eclipsando totalmente o original em inglês, mesmo tendo esse segmento hibrido: '... only you pode me fazer feliz, only you é tudo aquilo que eu quis'... talvez tenha faltado inspiração ao Fred Jorge na hora de traduzir essas palavras e ele resolveu deixar assim mesmo. O pior é que, na época, eu entendia 'Hollywood' em vêz de 'only you' quando escutava 'Diana' quando criança. Que bela confusão!

O próximo 78 rpm é 'Você é meu destino' (You are my destiny), outra versão de original de Paul Anka, acoplado com 'Por que chorar?' versão de 'Who's sorry now?' re-gravação de Connie Francis de um hit dos anos 1920s. Fred Jorge, autor de radio-novelas da Radio São Paulo, PRA-5, de-repente se torna o versionista mais quente do momento, tendo vertido 'Diana', 'You are my destiny' e 'Who's sorry now?'.

No suplemento de outubro de 1958 a RCA lança 'Louco amor' (Crazy love) do mesmo Paul Anka, mas no lado B insiste em 'Lamento de um caboclinho'. Vê-se nitidamente que a RCA ainda não tinha percebido a diferença entre 'caboclinho' e 'juventude transviada'. Para os executivos da RCA era tudo um 'balaio de gatos'. Veja como os tempos eram diferentes. Ainda não havia a percepção de que uma nova 'juventude' tinha chegado com toda força. Para os chefes da RCA, os sucessos de 'Passeando na chuva', 'Diana' e 'Você é meu destino' eram apenas 'circunstanciais'. Tanto, que se você analisar o repertório do 1o. LP de 12" de Gonzaga, lançado em Dezembro 1958, não deixa de ser hilário de ver o caboclinho lamentoso misturado com Diana; Adelino Moreira, o rei do samba-canção de cornos e bordéis, de braços-dados com Paul Anka, o garôto-sensação nascido em Ottawa, mas cidadão naturalizado da California.

Na capa do primeiro 12" de Carlos Gonzaga, a gente só percebe que ele é 'rock' por não estar vestindo terno-e-gravata, mas um cardigan moderninho. Guarânias e sambas se misturam a rock-baladas.

Passado o Carnaval de 1959, a RCA continua a explorar o veio de ouro que era o repertório de Paul Anka, convocando o novelista Fred Jorge para fazer mais versões do inglês para o português.

'Meu coração canta' (My heart sings), apesar de ser o título do próximo álbum, não conseguiu grande sucesso, pois a magnifica gravação de Paul Anka, arranjada pelo gênio de Don Costa, tocou no radio por aqui e a comparação com a versão não a recomendava de maneira alguma. Talvez fosse melhor virar o disco para o lado B e ouvir 'Isto é adeus', versão de 'So it's goodbye', do mesmo Paul Anka.

Em 1959, a RCA teria competição cerrada da EMI-Odeon, que teve a suprema sorte de contratar Tony Campello e sua irmã Celly Campello, que instantâneamente invadiu as Paradas de Sucessos do Brasil todo com 'Estúpido cupido' (Stupid cupid), de um novato norte-americano chamado Neil Sedaka, versão do mesmo Fred Jorge, que tornava-se assim o maior versionista do Brasil em menos de 2 anos.

A RCA intimou que Fred Jorge vertesse 'The diary' do vitorioso Neil Sedaka, mas a versão 'O diário', não conseguiu concorrer com a ótima gravação do autor, lançada pela própria RCA algum tempo antes. Como Sedaka não funcionou, eles apelaram para Elvis Presley, e Gonzaga gravou 'Eu quero o seu amor', versão de 'I need your love tonight', mas sem muito resultado. Na verdade, o lado B, 'Um milhão de vêzes', do novelista  Odayr Marzano é uma linda balada, que chegou a tocar bastante e agradou bem mais que a versão que o Fred Jorge fez da musica do Elvis. Carlos Gonzaga continuava a tocar pelo Brasil, mas quem dominava as paradas era Celly Campello.

A capa de 'Meu coração canta', segundo 12 polegadas de Carlos Gonzaga já traria um cantor bem mais 'moderno', usando um wind-breaker vermelho quase igual àquele usado por James Dean em 'Rebel without cause' (Juventude trasnviada). Mas assim mesmo a RCA insistia em títulos regionais como 'Velha paineira', 'Prece' (Plegaria) e músicas de Palmeira. Ela não tinha percebido que os tempos haviam mudado... para seu próprio prejuízo.

O h !   C a r o l 

Com o sucesso arrasador de Celly Campello, uma garôta de 18 anos, ficou patente que rock era para jovem e não para senhores de meia-idade. Mesmo assim, Carlos Gonzaga conseguiu dar a volta-por-cima ao gravar a versão de 'Oh Carol', de Neil Sedaka, que tinha visitado o Brasil em Novembro de 1959. Como em 1958, com 'Diana', Gonzaga conseguiu superar o original e sua 'Oh Carol' tocou pelo Brasil inteiro durante vários meses. Neil Sedaka ficou num humilde 2o. lugar.

No início de 1960 a RCA já lançava seus singles em dois formatos: no tradicional 78 rpm ou em 45 rpm de vinil, que viria a dominar o mercado em mais 2 anos, embora com a rotação diminuída para 33 rpm. No lado B do 45 rpm de 'Oh Carol', a RCA relançou a inspirada 'Um milhão de vêzes' do Odayr Marzano.

'Oh! Carol' b/w '1.000.000 de vêzes'.
Depois do mega-sucesso de 'Oh Carol', Gonzaga gravou a versão de 'Stairway to heaven' (Escada para o céu) do Neil Sedaka, tendo ao lado B, 'Podes chorar', versão de 'It's time to cry', de Paul Anka, mas deu xabú, nenhuma delas agradou.

'Eu canto assim' (Under your spell) 

Em outubro 1960, a RCA lança 'Eu canto assim' (Oh, Iracy, ai como eu amo a ti, sem ti não sei viver, mas que coisa boa é amar alguém...) versão de 'Under your spell', canção country de Buck Owens. Gonzaga, que começara cantando guarânias paraguayas e semi-sertanejo, se deu muito bem com uma versão de musica caipira norte-americana. 'Eu canto assim' tornou-se o 3o. maior sucesso dele, ao som de violinos, guitarras havaianas e todo o resto que se usa em C&W.
'The best-seller', terceiro 12" de Carlos Gonzaga dizia a mais pura verdade: Gonzaga era o maior! 

Antes de 1960 terminar, Carlos Gonzaga ainda tocou muito com 'Adão e Eva', versão de 'Adam and Eve', do Paul Anka. Mas já notava-se que embora Gonzaga fosse o 'rockeiro' que mais vendia discos no Brasil, ele nunca seria o Rei do Rock, por pelo menos 2 motivos. O primeiro, talvez, fosse o fato de ele ser Negro e o 2o., o fato de ele já estar com a avançada idade de 34 anos, embora ele não aparentasse esses anos.
Carlos sings 'Tenho você' (Almeidinha-Carlos Gonzaga) a Carnaval tune at Watson Macedo's 'Virou bagunça' released in January 1961.
Enquanto Sammy Davis Jr. se apresentava no Teatro Record em 26 Junho 1960, Carlos Gonzaga aparecia 'ao vivo' no Restaurante 707. 

Em 1961, Celly Campello (19), paulista de Taubaté e Sergio Murilo, (23) carioca, eram escolhidos Rainha e Rei do Rock do Brasil pela Revista do Rock. Ambos brancos de classe média.
'És tudo para mim' (1961), o 4o. LP de Carlos Gonzaga, mostrava que o esquema de versões de rocks norte-americanos já estava se esgotando. Versões de músicas de Paul Anka: 'Adão e Eva' (Adam and Eve) tocou bastante mas 'My home town' (Minha cidade) tocou só no original mesmo. Outras de Sedaka e Sam Cooke nem chegaram a tocar no radio. Até 'Nunca aos domingos' foi gravada, mas não tocada.
Carlos Gonzaga sings at a radio station  in Três Lagoas-MS, in 8 October 1961, accompanied by Os Anjos from Maringá-PR.
writer Maria Carolina de Jesus and Carlos Gonzaga some time in the 1960s. 

B a t   M a s t e r s o n 

Quando parecia que Gonzaga tinha chegado ao fim de sua carreira, eis que algo inesperado acontece. Carlos, que talvez nunca tivesse tido a pretensão de ser Rei de qualquer coisa, grava 'Bat Masterson', tema de abertura de um seriado 'farwest' da TV norte-americano estrelado por Gene Barry. A idéia de gravar Bat Masterson talvez tenha vindo do sucesso alcançado no ano anterior por 'Eu canto assim', musica caipira de lá. Sucesso imediato... e sucesso aterrador... só se tocava 'Bat Masterson' dia e noite.

A gravação de 'Bat Masterson' fez tanto sucesso, que aqui em São Paulo apareceu uma paródia bem chauvinista e racista que, no entanto, postamos como prova do sucesso da balada:
BASTIÃO MARTINS 

No velho Norte ele nasceu
entre baianos se criou
num pau-de-arara viajou
Bastião Martins, Bastião Martins!

Cabeça chata, sim senhor
corinthiano sofredor
foi dos baianos defensor
Bastião Martins, Bastião Martins!

E em todo Norte cantava
de Pernambuco ao Ceará
e todos baianos falavam 
de sua peixeira e do jabá

Quando em São Paulo ele chegou
um radio Spica ele comprou
na bicicleta pendurou
Bastião Martins, Bastião Martins!


BAT MASTERSON

No velho Oeste ele nasceu,
e entre bravos se criou,
Seu nome lenda se tornou,
Bat Masterson, Bat Masterson!

Sempre elegante e cordial,
sempre o amigo mais leal,
foi da justiça um defensor,
Bat Masterson, Bat Masterson!

Em toda canção contava,
sua coragem e destemor,
em toda canção falava,
numa bengala e num grande amor.

É o mais famoso dos heróis,
que o velho oeste conheceu,
fez do seu nome uma canção,
Bat Masterson, Bat Masterson!

B.Corwin-Havens Wray
versão: Edson Borges

BAT MASTERSON (Theme Song)

Back when the west was very young, 
there lived a man named Masterson. 
he wore a cane and derby hat, 
they called him Bat, Bat Masterson. 

The trail that he blazed is still there. 
no one has come since, to replace his name. 
and those with too ready a trigger, 
forgot to figure on his lightning cane. 

Now in the legend of the west, 
one name stands out of all the rest. 
the man who had the fastest gun, 
his name was Bat, Bat Masterson.

sung by Mike Stewart.

This RCA E.P. sleeve proves how popular Carlos Gonzaga was from 1957 through to 1962.
Early 1962, 45 rpm extended-plays - 2 songs on each side of the disc - turned into 33 rpm because maybe Brazilians couldn't be bothered to keep on switching the rotation-per-minute button every time they wanted to listen to a single or extended-play instead of a long-play. Even though 45 rotation-per-minute discs had a much better sound Brazilians didn't think much of it. Well, anyway, Brazilians as well as the Argentinians too, abolished the 45 rpm format and kept all their records - be it 12" long-plays or 7" singles or extended-plays in 33 rotations per minute.

This Carlos Gonzaga release was the second ever 'compacto-duplo' in 33 rpm to be put out by RCA Victor; see the serial-number: LCD-1002 and the title: Carlos Gonzaga em compact 33. It contained two previously realesed hits in the 78 rpm format: 'Bat Masterson' and 'Diabinho' (Little devil) plus two sambas that don't belong in a rock'n'roll record: 'Fumaça' written by Adelino Moreira and 'Não quero mais' (Almeidinha-João Corrêa). No wonder with decisions like those RCA soon went down the drain in Brazil.

C a v a l e i r o s     d o    c é u 


'Carlos Gonzaga canta' é seu 5o. LP, onde nota-se a troca do rock'n'roll pelo Country & Western.

Na passagem de 1961 para 1962, Gonzaga aproveita o sucesso conseguido com 'Bat Masterson' e grava 'Cavaleiros do céu' (Ghost riders in the sky) sucesso de Vaughn Monroe de 1949. Esse é o derradeiro sucesso da longa e vitoriosa carreira dele, embora ele ainda tenha continuado ativo por mais 30 anos.

Nota-se neste LP, que Gonzaga tinha posto um pé firme na música Country & Western, não só re-gravando 'Cavaleiros do céu', mas também 'No coração do Texas' (Deep in the heart of Texas) e 'Vale do Rio Vermelho'. 

Em 1962, o rock norte-americano estava num período de transição. O vigor inicial de Chuck Berry, Little Richard e Elvis Presley deu lugar a uma sucessão de hits inodoros chegando-se a 1962/1963, com o surgimento do twist, madison, hully-gully e outras inúmeras danças que eram simples variações da penúltima moda que cairia em desuso com o aparecimento da ultima novidade. Enfim, o rock estava atordoado e se esvaindo de energia.

No campo nacional, Celly Campello, a personalidade máxima do nosso rock se casava em Maio e, como Greta Garbo, se retirava da vida artística. O twist, na verdade, nunca conseguiu ter um sucesso brasileiro de expressão, sendo que o povo comprava as gravações originais de Chubby Checker... principalmente o 'Let's twist again'. Carlos Gonzaga bem que tentou 'O twist', mas foi um voo de galinha. Enfim, Carlos Gonzaga, aos 39 anos não era mais aquele.

E por aqui vamos ficando com a cronologia da carreira vitoriosa desse mineiro aquariano que comandou a musica jovem brasileira durante alguns anos. Carlos continuou a gravar ininterruptamente, tendo trocado a RCA pela Philips e outras gravadoras multi-nacionais.

No período 1976-1977, Carlos Gonzaga, com 52 anos de idade, voltou ao sucesso devido a popularidade da novela 'Estupido Cupido' da TV Globo. 'Diana' e 'Oh Carol' voltam a serem tocadas no radio como se 1977 fosse 1957...

Campeão de vendas de discos entre 1958 e 1962 

Carlos Gonzaga bateu um record curioso, que nunca foi alardeado por ninguém, nem pelo próprio cantor, que, talvez, não o tenha percebido.

Em minhas pesquisas sobre Paradas de Sucessos, percebi que Carlos Gonzaga foi o único artista nacional ou estrangeiro que ganhou o cobiçado troféu CHICO VIOLA por 5 vêzes consecutivas. Ninguém chegou perto dessa distinção.

Na própria incepção do prêmio, em 1958, Carlos Gonzaga ganhou o troféu pela vendagem monstro de 'Diana'. Em 1959, Gonzaga recebeu a estatueta pela vendagem de 'Oh Carol', embora essa musica esteja classificada tecnicamente como 1960; acontece que os Chico Violas eram outorgados em janeiro do ano seguinte, portanto 'Oh Carol' qualificou-se pelo ano anterior.

Gonzaga recebe seu terceiro Chico Viola em 1960 por 'Eu canto assim' (Under your spell). Em 1961, Gonzaga é o grande vencedor com 'Bat Masterson'; e termina ganhando seu quinto Chico Viola em 1962, pela grande vendagem de 'Cavaleiros do céu' (Ghost riders in the sky).

Como se nota, Carlos Gonzaga foi um dos maiores cartazes da musica popular no Brasil, mas nunca lhe deram o suficiente reconhecimento. Talvez por ele ter gravado quase que exclusivamente versões, o que faria de sua carreira algo 'menor'.
Carlos Gonzaga shows his album for RCA Victor which contained most of his early rock hits like 'Diana'... RR tried to corner Gonzaga and demand to know why he recorded 'foreign material'. Gonzaga most good-naturedly tries to explain he had already recorded a lot of Brazilian-material but the record-buying public preferred the more 'modern' sounds coming out of the USA.
Revista do Radio - 23 May 1959
even though Carlos Gonzaga was always denied the King of Rock crown this independent publication anointed him with the title 'Rei do Rock Balada' - King of the ballad-rock...
Gonzaga sings at the Roquete Pinto 1958 Awards extravaganza held in March 1959.
Carlos Gonzaga rejoices in being the recepient of Roquette Pinto best singer of 1958, the year he took 'Diana' to the top of the charts.
on top of the world, ma, on the cover of 'RadioMelodias' after his 1958 breakthrough year... 
Carlos Gonzaga had the Midas touch in 1958, 1959, 1960 & 1961... Here's Carlos promoting other RCA Victor products: Nelson Gonçalves & Elvis Presley.
Carlos Gonzaga acompanhado por The Flyers em 1964.
Em 1976-1977 Carlos Gonzaga voltou ao topo da Parada de Sucesso devido ao sucesso da novela 'Estúpido Cupido', da TV Globo. Eis reportagem da época, quando Gonzaga já puxava 52 anos, era casado com Alice Campos, tinha o filho Osvaldo (24) e a filha Alice (22), além de alguns netos. 

Carlos Gonzaga morreu em 25 Agosto 2023, com 99 anos, num hospital de Velletri, na região metropolitana de Roma, Itália, onde morava com a família de seu neto Jonata Guarino desde 2022. 

Wednesday, 6 February 2013

BOLÃO, saxophonist


Bolão was the greatest Brazilian saxophone player during the late 1950s and 1960s. He consistently recorded albums for RCA records catering for the young set whose main goal was to dance at private parties or night-clubs.

Isidoro Longano (his real name) was born in 16 March 1925, in São Paulo, Brazil. He started playing the clarinet, flute and saxophone at an early age. Bolão started playing professionally in 1944, at only 19 years old in a Casino in Santos-SP. 

After gambling was out-lawed and all casinos were closed in 1946, Bolão kept playing with many orchestras at night-clubs and dancing halls with band leaders such as Jorge Fazolli, Rud Warton and Georges Henry until he joined piano player Robledo in 1950, who had a smart combo which recorded at Continental Records.  

Bolão also played at Sylvio Mazzucca's and Osmar Millani's orchestras until 1958, when he had the chance to form his own combo called Bolão & His Rockettes and started recording popular albums; first for Columbia Records and then switched to RCA Camden and RCA Victor. 

Bolão has also recorded under such pseudonyms as: Bob Longano (at Fermata), Edward Long (at RGE) and Crazy Cat's (at RCA). 

If one goes through Bolão's repertoire one can easily see what pop music used to be in those years. Here are some of his best recordings:
1 9 5 8 


ROCK sensacional - BOLÃO e seus Rockettes   -  Columbia - LPCB-37026  -  1958 

1. Boo-Da-Ba (Bill Doggett)
2. Buzz-buzz-buzz (John Gray-Robert Byrd)
3. The swingin' shepherd blues (Moe Koffman)
4. C'amon kiss me (Erlon Chaves)
5. Roc-a-chika (Warner Mac Pherson or Warner Mack)
6. Tarrentela rock (Frank Sandy)

1. Midnighter (Dave Burges)
2. De De Dinah (Bob Marcucci-Peter De Angelis)
3. El Rancho Rock (Ramos-Uranga)
4. Walkin' with Mr. Lee (L.Allen)
5. Short shorts (Thomas Austin-Bob Gaudio-Bill Dalton-Bill Crandal)
6. Big guitar (Frank de Rosa-Robert Genovese)



Liner notes written by radio DJ Kalil Filho


Bolão, de nome Isidoro Longano, nasceu em 16 de Março de 1925 em São Paulo-SP. Em sua familia havia um único músico, o cunhado do menino Isidoro, que veio a ser seu professor de música e execução ao saxofone. Começou a estudar musica com 13 anos e teve os primeiros contatos com o clarinete e saxofone aos 15.

Com 20 anos - e já estamos em 1945, tornou-se profissional tocando no Cassino da Ilha Porchat em São Vicente-SP com a orquestra de Fernando A. Brasil. 

Depois, passou a integrar a orquestra do Parque Balneário Hotel em Santos-SP, cujo maestro era o argentino Jorge Fazolli, que hoje é band-leader nos Estados Unidos. 

Voltou para São Paulo e atuou na orquestra de Georges Henry. Logo em seguida fez parte da primeira formação do conjunto do Robledo. 

Seu próximo passo foi integrar a orquestra de Sylvio Mazzucca tendo participado da gravação do famosíssimo LP 'Baile de Formatura' LPCB-41.006, onde destacou-se em belíssimos solos. 

Atualmente, com seus Rockettes se apresenta em shows do Cine Rivoli, o mais moderno de São Paulo. 

Bolão atuou nas Radio Tupi, Bandeirantes e Nacional paulista, de onde saiu, agora, Junho de 1958. 

Em maio de 1958 firmou contrato com a Columbia Records para gravar solo. Seu primeiro 78 rpm foi 'Short shorts' e agora nesse longa-duração Bolão se apresenta numa seqüência de rocks espetaculares, arranjados pelo maestro Erlon Chaves. 

Em 1943, no início de sua carreira, Bolão tocou na 'Estadão', uma gafieira da Barra Funda, em São Paulo. Ele, com 18 anos, tocava na orquestra da gafieira, e certa feita, ao terminar um de seus primeiros solos, ouviu um dos prêtos virar-se p'ra outro e dizer: - 'O arroz aí, promete!'

O 'arroz' (branco) era o nosso Bolão, que se tivesse com aquele primeiro solo prometido alguma coisa, já pagou todas as promessas e um pouco mais. Êsse LP é a maior prova disso. Notas de Kalil Filho.

1 9 6 1 

Favoritas dos brotos - Bolão e seu Conjunto - RCA Camden - CALB-5013 (1961)

1. Mу home town (Рaul Anka)
2. Dreamin’ (Вarrу de Vorzon-Ted Ellis)
3. Il tuo baсio è come un roсk (Adriano Сalentano-Vivarelli-Fulсi)
4. Рrettу blue eуes (Teddу Randazzo-Вob Weinstein)
5. Adam and Eve (Рaul Anka)
6. Сomuniсando (Рalomar-Quiroga Segovia)

1. Сharleston boу (L. Olias-K. Sсhwabaсh)
2. I Вelieve (E. Drake-I. Graham-J. Shirl-A. Stillman)
3. Stairwaу to heaven (Neil Sedaka-Howard Greenfield)
4. Рuрру love (Рaul Anka)
5. La dolсe vita (Nino Rota-Dino Verde)
6. The Madison time (R. Вrуant-E. Morrison)

1 9 6 2 


'Baile de brotos' - Bolão e seu sax-tenor - RCA Camden - CALB-5036  (1962)
com orquestras de Erlon Chaves e Francisco Moraes

1. Runaway  (Del Shannon-Max Crook) 
2. Tema do filme 'O Alamo' - The green leaves of summer (Dimitri Tiomkin-Paul Francis Webster)
3. Where de boys are (Neil Sedaka-Howard Greenfield)
4. Ilissos (Manos Hadjidakis)
5. Bobby, Bobby, Bobby
6. Yellow bird (Alan Bergman-Marilyn Keith-Norman Luboff)

1. Bat Masterson (B. Cordin-Havens Wray (David D.Rose)
2. Tonight, my love, tonight  (Paul Anka)
3. Little devil  (Neil Sedaka-Howard Greenfield)
4. Emotions (Ramsey Kearney-Mell Tillis)
5. C'est si bon (Andre Hornez-Henri Betti-Jerry Seelen)
6. Dance on little girl  (Paul Anka) 


1 9 6 2 

'Cha-cha-cha e Twist' é o LP mais raro de Bolão. 

Cha-cha-cha e Twist - Bolão e seu sax-tenor - RCA Camden  CALB-5059 - 1962


1. Happy José (O alegre José) - N. Malkin-J. Gonzales
2. Too much Chianti (Muito Chianti) - B. de Fillippi
3. The Twist   (Hank Ballard)
4. Let's twist again (Kal Mann-Dave Appel)
5. Twistin' USA (Kal Mann)
6. The Jet  (Kal Mann)


1. Kissin' on the phone (Leonard Whitcup-Earl Wilson)
2. Romeu  (R. Stolz)
3. I wanna thank you  (Kal Mann-Bernie Lowe-Dave Appell)
4. Bela Maria (Bella Marie) - Vandyke
5. Love land (Terra de Amor) - Paul Anka
6. Ya Ya   (Robinson)

1 9 6 3 
Dance Hully Gully com Bolão e seu Conjunto - RCA Victor - BBL-1268 - 1963

1. Hully-gully baby (Kal Mann-Dave Appell)
2. Baby elephant walk (Henry Mancini)
3. The loco-motion (Gerry Goffin-Carole King)
4. The Wah-Watusi (Kal Mann-Dave Appell)
5. Las Vegas (Laurie Johnson) 
6. The hully-gully (Fred Sledge-Clifford Goldsmith)

1. Mama Inez (Eliseo Grenet-Louis Wolfe Gilbert) 
2. Chariot  - J.W.Stole (Franck Pourcel)-Del Roma (Paul Mauriat)-Jacques Plante
3. La cucaracha (traditional) 
4. Blame it on the bossa nova (Cynthia Weil-Barry Mann)
5. Percolator twist (Lou Bideu/Bedell-Ernie Freeman)
6. I love (Hully-gully) (Luiz Gustavo-Menezes)

N.B.: Os bailarinos de hully-gully que aparecem na capa são o Conjunto Lancaster: 1. Paulo Cesar; 2. Neida; 3. Chupeta; 4. Brigitt; 5. Frank; 6. Kath; 7. Edson; 8. Anik.

1 9 6 4 

'Muito legal!'de Bolão e seu Conjunto - RCA Victor - BBL-1298 - 1964.


Bolão e seu Conjunto com arranjos musicais de Wilson Mauro

1. If I had a hammer (Hays-Pete Seeger)
2. America (Sondheim-Leonard Bernstein)
3. About noon (The Mar Keys)
4. Loddy low (Kal Mann-Dave Appell)
5. Rua Augusta (Hervê Cordovil)
6. Irma la douce (Marguerite Monnot-Alexandre Breffort) 

1. Lady of Spain (Tolchard Evans-Erell Reaves)
2. La bamba (traditional)
3. Sapore di sale (Gino Paoli)
4. Theme from 'Lillies of the field' (Amen) (Jerry Goldsmith)
5. Rhythm of the rain (John Gummoe)
6. Tzena, Tzena, Tzena (Michrovsky-Julius Grossman-Mitchell Parish)



Nesse LP dois 'cobras' se juntaram: Bolão, cujo conjunto é hoje um expoente da noite paulistana e best seller no cenário fonográfico, e Wilson Mauro, refulgente estrêla que, como pianista, vem iluminando os grandes centros de diversão noturna da Paulicéia. Está atualmente brilhando na boite Michel. Êste jovem pianista-arranjador diplomou-se em harmonia e contraponto e teve por mestre o grande Guerra Peixe. Wilson Mauro foi o idealizador dos magistrais arranjos as 12 faixas desse album, para o qual só podemos ter uma exclamação de louvor: MUITO LEGAL!  (Elmo Barros)

biografia de Bolão

Isidoro Longano, mais conhecido como Bolão, nasceu em 16 Março 1925, em São Paulo-SP. Clarinetista, flautista e saxofonista, estudou com Leonardo Mauro, João Dias Carrasqueira e Nelson Ayres.

Iniciou carreira em 1944, integrando a orquestra de Fernando Arantes Brasil. De 1945 a 1948 atuou no Hotel Parque Balneário, em Santos-SP, com a orquestra de Jorge Fazolli.

Ainda em 1948, passou para a orquestra de Rud Warton, tocando na 'Vogue', no Rio de Janeiro, até 1949, ano em que também atuou com a orquestra de Georges Henry na boite  'Excelsior', e na Rádio Tupi de São Paulo.

Em 1950 fez parte do conjunto Robledo, acompanhando Caco Velho em gravação na Continental. Ficou com Robledo até 1953.

Entre 1954 e 1958, integrou a orquestra de Sylvio Mazzucca, apresentando-se na Rádio Bandeirantes e em bailes e shows. Em 1959-60 tocou com a orquestra de Osmar Millani.

Em 1960, iniciou o conjunto Bolão e seus Rockettes, que até 1963 atuou em boates, bailes e shows. De 1964 a 1968 trabalhou com a orquestra do Pocho, tendo, em 1967, entrado também para a orquestra da TV Tupi, onde ficou até 1974.

De 1958 a 1975 foi acompanhante em shows de cantores, internacionais e brasileiros. Integrante da Banda de Nelson Ayres, trabalha também como músico de estúdio em gravadoras.

Gravou LPs entre 1958 e 1972, na Fermata sob o pseudônimo de Bob Longano, na RGE como Edward Long, e na RCA, como líder do conjunto Crazy Cat’s.

Bolão in a rare photo taken in 1962 while he was interviewed by DJ Antonio Aguillar who said Bolão was the master of all saxophone players who ever played in rock bands after 1960.
Bolão in a 1977 photo. He didn't change much except for the huge sideburns that were 'in' then.