Saturday, 4 January 2014

FRED JORGE, a song-writer of sorts

Fred Jorge at the height of his popularity in 1960. 

Fred Jorge, whose real name was Fuade Jorge Japur, was born on 31st May 1924, in Tietê-SP. He had the gift of writing since primary school and by 1959, when he was 25 years old, he had become the most popular song translator/adaptor in Brazil.

In the early rock days - from 1957 to 1960 - Brazilians didn't write original material. Most of rock songs of this period were translations or adaptations of American, Italian, Spanish and even German hits.

Baby Santiago née Fulgêncio Santiago, a Black kid from São Paulo, was perhaps the first Brazilian who actually wrote original material even though his 'Bata baby', recorded by Wilson Miranda in 1960, was nothing more than 'Long tall Sally'-rehashed.

Fred Jorge was a radio-drama writer who had a smattering of the English language. He sojourned in the United States for one year to get acquainted with the latest technology in the development of radio and improved his English quite a lot.

When the rock'n'roll craze started in Brazil, Fred already knew most of the tunes he had heard first hand in the US, and decided to 'translate' them into Portuguese. Fred Jorge's translation of Paul Anka's 'Diana' went straight to # 1 in the Brazilian charts in 1958 and made Carlos Gonzaga famous.

In 1959, Fred translated Neil Sedaka's 'Stupid cupid' (Estúpido cupido) which went to #1 and made Celly Campello the Queen of Brazilian Rock.

Later in 1959, Fred translated Sedaka's 'Oh Carol' recorded by Carlos Gonzaga, which went to the top of the charts too.

In 1960, Fred Jorge translated Migliacci's 'Tintarella di luna' which became 'Banho de lua', recorded by Celly Campello which was a smash hit.

Fred Jorge was on top of the world. He continued translating songs all through the 1960s but things changed around 1964 when Brazilian rock came of age and kids started writing their own material. Fred continued writing drama for the radio... which was dying fast.

Fred Jorge as a young man.
Fuade Jorge Japur liked travelling. He went to the USA many a time and dreamed of visiting the Far East. 
Em 1952, o nome de Fred Jorge aparecia na grade de novelas da PRA-5, Radio São Paulo. De 2a., 4a. e 6a. Fred aparecia como autor de 'Felicidade é você' no horário das 9 da manhã. 'Deslumbramento' era irradiada de 3a., 5a. e sábados às 10:00 da manhã.

Você poderia dizer com certeza, que Baby Santiago foi o 1o. compositor de rock brasileiro. O rock começa no Brasil circa 1957, mas todas as músicas eram versões de sucessos norte-americanos ou até italianos (Banho de Lua/Tintarella di luna).

Em 1960, Santiago verteu 'Long tall Sally', mas pode-se dizer que é uma 'adaptação'. Logo em seguida, em 1961, Santiago compõe 'Rock do Sacy', o 1o. rock genuinamente brasileiro.Portanto, Baby Santiago é, sem dúvida alguma, o 1o. compositor de rock nacional. Só 2 anos mais tarde, Hervê Cordovil apareceria com 'Rua Augusta' e Roberto Carlos com 'Parei na contra-mão'.

FRED JORGE na REVISTA DO RÁDIO 

O nome de Fred Jorge começa a aparecer em notas da Revista do Radio a partir de 1951, sempre contratado da PRA-5, Radio São Paulo.

Em 1952 há uma nota na seção 'Radio em São Paulo' dizendo que a paixão de Fred era viajar pelo mundo, tendo estado na California, Alaska, Havaí, Mexico, Cuba.

Fred Jorge, produtor da Radio São Paulo reuniu 46 de suas 'Cartas de amor' em forma de livro. Cartas de amor previamente lidas por Waldemar Ciglione e Ênio Rocha nos microfones da PRA-5. O autor diz no prefácio que as cartas tem por objetivo único levar um pouco de sonho e poesia a quem possui coração para sentí-las.

Biografia de FRED JORGE - Revista do Rádio 5 DEZ 1953

Fred Jorge conta que nasceu em 31 Maio 1924, em Tietê-SP, filho de Jorge Japur Abdala e Faride Abdala, na Rua do Comercio. O velho rio Tietê rolando e os deliciosos passeios de barco, nas tardes deliciosas de verão.

Fiz o curso primário no Grupo Escolar Luiz Antunes e me tornei professor primário na Escola Normal Plínio Rodrigues de Moraes em 1944.

Comecei a trabalhar na ZYI-8, Radio Tietê, de propriedade de Lafayete Camargo Madeira. Logo mudei-me para São Paulo, arranjando emprego em um escritório. Fiz um teste de redação na Radio São Paulo e fui aprovado. No início era apenas redação comercial, depois programas, e agora tudo. Escrevo o Grande Teatro Dramático.

Passei 1 ano nos Estados Unidos, onde tive oportunidade de examinar cuidadosamente o radio de lá. Não ultrapassa o nosso em nada, a não ser os de cartazes pessoais de fama internacional. Na estruturação de programas não apresenta novidade alguma.

Minhas manias principais: leitura, natação e discos. Minha maior ambição: conhecer o Oriente. Minha emoção mais intensa: quando revi o Brasil pela 1a. vez após 1 ano na América do Norte. Meus temores: tenho medo de vespas e fantasmas. Não gosto de escrever cartas. As únicas que escrevo com prazer são as 'Cartas de Amor' do meu programa diário. O que me inspira: a vida.

Fred Jorge publicou 'A vida de Santa Izabel'.

Fred Jorge apresenta 'Confissões' pela PRA-5 as 3as. e 5as., que são radiofonização de histórias verídicas enviadas pelas ouvintes.

Fred Jorge, produtor da Radio São Paulo, viajou para os Estados Unidos, devendo retornar em 1 ou 2 meses. É a 2a. vez que o rapaz visita a terra de Tio Sam. RR 5 MAIO 1956 - # 347.

A PRA-5 transmitiu a peça 'Quanto os melhores se encontram', de Fred Jorge, reunindo Maria Teresa, Augusto Barone e Waldir de Oliveira, que ganharam o Roquette Pinto de 1956.

Fred Jorge está produzindo a tele-novela 'Xeque mate' com Randal Juliano, Idalina de Oliveira, Vitor Lopes, Elton Seyssel, Oliveira Neto, Sergio Marques e Luiz Ignacio. Direção de Waldemar de Morais para a TV Record.
Fred Jorge dactilografando... reportagem da Revista do Rádio (465) Agosto 1958.
1o. Festival Brasileiro de Radio-Teatro realizado pela Radio São Paulo nos dias 6, 7 e 8 de Setembro de 1958 - reportagem da Revista do Radio (475) 25 Outubro 1958.

Fred Jorge também se fazia presente como representante de sua classe. Em 1959, Fred faz parte da nova diretoria da Associação dos Radialistas do Estado de São Paulo (ARESP) tendo como presidente Airton Rodrigues; vice-presidente Hebe Camargo; 1o. secretário Fred Jorge; 2o. secretário: Xisto Guzzi; 1o. tesoureiro: Carlos Alberto Nóbrega; 2o. tesoureiro: Paulo Massenet.

Tony Campello declara à RR que gravou 'Pity pity' e 'Poor little fool' ambas versões de Fred Jorge.
Os compositores Archimedes Messina (cantor também) e Fred Jorge brindam à cantora Katâna Castelar - Revista do Rádio de 3 Outubro 1959.

Tendo por tema a juventude transviada, a PRA-5 lançou a novela 'À procura de um destino' de Fred Jorge.

A Odeon entregou a Fred Jorge o seu serviço de divulgação em São Paulo, continuando Alfredo Borba como 'public relations' da gravadora. RR 24 Outubro 1959.
Fred Jorge torna-se famoso no Brasil devido ao sucesso de suas versões - RR de 11 Junho 1960. Flávio Cavalcanti, sempre oportunista, tenta fazer celeuma sobre o sucesso de 'Banho de lua', tentando desmerecer o valor das versões em geral, além de insultar deu colega Jair de Taumaturgo.

George Freedman vem ganhando popularidade na Polydor com 'Olhos cor do céu' (Pretty blue eyes), versão de Fred Jorge.

Celly Campello faz sucesso com 'Broto legal' (I'm in love) versão de Renato Corte-Real e 'Mal me quer' (Don't eat the daisies) versão de Fred Jorge.

Carlos Gonzaga vende bem com 'Foi teu beijo' (Something has changed) de Paul Anka, versão de Fred Jorge. RR 26 Novembro 1960.

O elenco da Radio São Paulo faz sucesso em Portugal, através das gravações da 'História de Nossa Senhora de Fátima' e 'História de N.S. da Aparecida'. As produções são de Fred Jorge.
Além de ser o Rei das Versões de rock'n'roll, Fred Jorge emplaca a versão de 'La novia' em 1o. lugar absoluto em 1961; gravação de Ângela Maria para a Continental Discos; Radiolandia #338, October 1960. Fred Jorge was so popular as a translator of rock hits that magazines carried articles about him. 
Fred Jorge escrevia proficuamente para a Editora Prelúdio, que editava esses livretos sobre vidas de santos. Santa Apolônia, protetora dos dentistas, Santa Martinha, virgem e mártir e Santa Isabel, a rainha de Portugal, que pôs os judeus a correr de lá. 

É de Fred Jorge a novela 'Uma cruz na estrada', que a PRA-5 transmite de 3as., 5as., e sábados de manhã. Apesar da fama de 'rockeiro', Fred ainda continuava firme com suas novelas pela Radio São Paulo.
'Letters of love' (Cartas de amor) was Fred Jorge's forte throughout his career as a popular magazine writer. This one written for 'Radiolar' and recited by Waldemar Ciglioni at Radio São Paulo in 1953. Fred knew how women liked to be addressed... 
Chiquita é descoberta de Fred Jorge, quando trabalhava como divulgador da Odeon. Quem vai ficar no lugar de Celly Campello quando ela se casar em Maio de 1962? Selma Rayol, Ellis Regina, Cleide Alves, Selmita ou Wanderléa? 

A PRA-5 apresenta a novela 'Com Deus pela liberdade' de autoria de Fred Jorge. RR 10 DEZ 1964. Como pode se notar pelo título da novela, Fred Jorge, aparentemente, tomou o lado da Ditadura Militar que se instalou no País em 1o. de Abril de 1964.

Fred Jorge continuou escrevendo para radio, TV, publicações populares e músicas. Escreveu 'O pequeno príncipe' em parceria com Tommy Standen em 1965, carro-chefe de Ronnie Von.

Roberto Carlos grava em 1970, 'A palavra adeus', música de Fred Jorge, aparecendo no lado B do compacto-simples '120... 150... 200 km por hora'.

'Se eu partir' (1971), 'Você já me esqueceu' (1972), 'Não adianta nada' (1973), 'O dia a dia' (Fred Jorge-Nenéo) eem 1976 e  'Todos os meus rumos' em 1978. 'Recordações e nada mais' é parceria de Fred Jorge e Roberto Carlos.

Fred Jorge faleceu em 20 Outubro 1994, com 70 anos de idade.


DJ Antonio Aguillar & Fred Jorge at 'Reino da Juventude' a show Aguillar had at TV Record in 1964. 

Thursday, 26 September 2013

NISSEI ROCK - Guido Myioshi & Yoko Abe

Guido Miyoshi and Yoko Abe were two Brazilian youths from Japanese extraction who recorded rock'n'roll at its inception in Brazil circa 1958. 

At the turn of the century - circa 1900 there was a concerted effort of the Japanese government to promote migration of an ever increasing Japanese population to all parts of the world but especially to South America. Brazil and Peru were the preferred destinations. Japanese nationals started arriving in Brazil in 1908. They came in droves soon numbering hundreds of thousands. 

Japanese families settled mainly in the states of Sao Paulo and Paraná, but there were a few thousands going to Pará, Rio de Janeiro and other states. Due to the language barrier adult immigrants hardly ever mixed with Brazilians but their children started mingling and assimilating the local culture and by 1958, we had some children of Japanese parents who could sing well in Portuguese. These youngsters chose slower rythms like bolero, guarânia and ballads but a few dared to rock and roll.
Yoko Abe, pioneer Brazilian Nissei rock'n'roller 
'Sayonara' from the 1957 Hollywood movie of the same name was Yoko Abe's first recording.

TC-1012 - April 1959

A- Sayonara (Irving Berlin's fox-canção) translation: Kikuo Furuno - with Yoko Abe 
B- Futani yorisoni (Cabecinha no ombro) Paulo Borges; trans.: Kikuo Furuno; with Guido Miyoshi; recorded: 10 APR 1959.


TC-1033 - August 1959

A- Baião da Serra Grande (Fred Williams-Palmeira) trans.: Kikuo Furuno; with Guido Miyoshi 
B- Cachito - bolero (Consuelo Velasquez) trans.: Kikuo Furuno; with Yoko Abe; recorded: 19 JUN 1959.

TC-1065 - November 1959

A- India - guarânia (J.A.Flores-M.Ortiz Guerrero) trans.: Kikuo Furuno; Guido Miyoshi; recorded: 7 OCT 1959.
B- Be-bop-a-lula - rock (Gene Vincent-Davis) trans.: Seuti Yida; Yoko Abe; recorded: 14 August 1959. 

TC-1085 - December 1959 - Vagalumes do Luar 

A- Aki Kojima - marcha (Jaime Ribeiro-Carlos Ferlich)
B- Ignês  (J.Ribeiro-C.Ferlich) 

this is a single released for Carnaval 1960 in which the author make a pun with Akiko Kojima's name. Miss Japan, Akiko Kojima was elected Miss Universe 1959 to everyone's surprise.

TC-1086 - December 1959 - Guido Miyoshi

A- Oh! Carol - calypso-rock (Greenfield-Sedaka) trans.: Fred Jorge-Kikuo Furuno; reciting: Getúlio Alves
B- Noite azul - rock-ballad (Carlos Armando-Rogério Cardoso) recorded: 7 DEC 1959.

TC-1136 - 23 May 1960 - Guido Miyoshi 

A- Quero amar - calypso-rock (Deane-Weissman) trans.: Fred Jorge-Kikuo Furuno
B- Destino - tango (Mario Teresópolis) trans.: Kikuo Furuno 

TC-1137 - August 1960 - Yoko Abe 

A- My baby - calypso-rock (H.Balmes-C.Adams) trans.: M.A.Galvão-Ciro Cruz; recorded: 23 May 1960
B- Lampeão de gás - waltz (Zica Bergami) trans.: Kikuo Furuno; recorded: 7 AUG 1960.

TC-1184 - 10 October 1960 - Guido Miyoshi & Yoko Abe

A- Noite de paz (Stille Nacht) Franz Gruber; trans.: Kikuo Furuno
B- Sinos de Belém (Jingle bells) translation: Kikuo Furuno; arrangement: Evaldo Ruy

TC-1289 - 17 January 1962 - Guido Miyoshi 

A- Lamento - samba (Djalma Ferreira-Luiz Antonio) trans.: Kikuo Furuno
B- Naguissa nite - toada (Shichiro Onodera)
Guido Miyoshi's solos:

1. Futani yorisoni (Cabecinha no ombro)
2. Baião da Serra Grande 
3. India
4. Oh! Carol
5. Noite azul

6. Quero amar
7. Destino
8. Lamento 
9. Naguissa nite
Yoko Abe in more traditional clothes
Yoko Abe's solos:

1. Sayonara 
2. Cachito
3. Be-bop-a-lula
4. My baby 
5. Lampeão de gás
Yoko Abe the Nissei rock'n'roll doll. 

After the initial period of recording 78 rpms for California, Yoko Abe & Guido Miyoshi kept on working performing at Japanese-style night clubs mainly in São Paulo. Here is an ad taken from daily 'O Estado de S.Paulo' where both singers perform at different places. Yoko at Cherry, next to Praça João Mendes and Guido Miyoshi at Elite on Avenida Irerê.
9 September 1962 - At Black Jack Boite, Avenida Ceci (final do bonde São Judas) singer Lili Ozawa and dancer Taki Noboru plus The Four Coins with their progressive jazz;  at night club Cherry (Rua Americo Campos, 84, next to Praça João Mendes) Kiochi Hisa & his Modern Jazz combo with singers Yoko Abe & Nelson Luiz. 

22nd April 1962 - Nissei-rock singer Yoko Abe performed at Cherry (next to Praça João Mendes) with Kioshi Hisa, The Four Coins plus Kamimura & his accordion; at Elite – another Japanese-style night-club on Av. Irerê, 1072, in Moema; Antonio Arruda Orquestra & Conjunto Diamond plus Nissei-rock Guido Miyoshi.

1957's 'Sayonara'
A poster used in Japan to attract immigrants to Brazil. It reads: 'Let's go to South America (Brazil) with the family.'

The poster is pre-1904, because the state of Acre, bought by Brazil from Bolivia in 17 November 1903, was not part of the Brazilian map. Brazil paid Bolivia 2 million sterling pounds for Acre, plus the pledge to build 'Estrada de ferro Madeira-Mamoré' a railway to ship out Bolivian production through the Amazon River. 



Takashi Ikeda sings rock'n'rolll in Rio de Janeiro - July 1960

Even though Japanese national Takashi Ikeda is obviously not part of what we call Nissei Rock, it is worth mentioning his sourjourn to Brazil during 1960.

He spent some time singing nightly at a Rio de Janeiro night club called Little Club. He played the guitar and was accompanied by famous guitar virtuoso Bola Preta (who would soon move on to the USA) and Brazilian pianist Ze Maria. Judging by this article, Ikeda was very popular among this Brazilian crowd and created a good following among Copacabana kids. According to the article he sang 'Tutti Frutti', 'Hound dog', 'Mean woman blues' and other rock classics. 


Com originalidade, o cantor Takashi Ikeda vem se apresentando no Little Club, com o qual assinou contrato para sua 1ª temporada no Brasil. Japonês, filho de família nobre, Takashi, adepto do Zen-Budismo, é um bom interprete do rock’n’roll, marcando suas interpretações com o traço de sua simplicidade oriental.

Seu repertório é verdadeiramente de um cantor que se presa. E suas interpretações de ‘Tutti frutti’, ‘Hound dog’, ‘Mean woman blues’ com o apoio melódico e rítmico da guitarra de Bola Sete e do piano de Zé Maria, faz vibrar o público que prorrompe em gritos a cada número. Mas a platéia barulhenta emudece ao ouvir ‘Sayonara’, com um sotaque japonês, quando o cantor consegue exprimir toda sua arte de intérprete internacional.


‘Correio da Manhã’, domingo, 24 Julho 1960. 
10 October 1959 - Takashi Ikeda at Black Jack Boite sang rock'n'roll when Japanese-Brazilians wouldn't dare it... 
Guido Miyoshi & Yoko Abe photos on 'O Dia' 24 May 1959.
Guido Myioshi (second from left) with Celly Campello, Brazilian Queen of Rock and her brother Tony Campello (extreme right). 

Saturday, 27 July 2013

THE AVALONS 1959-1960

Dudú plays his banjo before forming The Avalons

The Avalons were the first ever Brazilian rock'n'roll band. They started in 1958 as an instrumental trio made up of Dudú (Francisco Eduardo de Souza Pereira) on guitar, his older brother Paulinho (Paulo Hermínio de Souza Pereira) on drums and Daniel Grisanti (Dracula) on bass.

Dudú had played banjo previously with a jazz combo called Paulistânia Jazz Band which changed its name to São Paulo Dixieland Jazz Band due to its playing mostly the New Orleans type of jazz.

In 1959, a little before radio DJ Miguel Vaccaro Netto set up his Young Records label, The Avalons became a sextet adding singers Solano Ribeiro, Passarinho (Nilton) and Bob Wing, a Hong Kong Chinese who lived in São Paulo then.

The Avalons were the first act to have a 78 rpm / 45 rpm released by newly-founded label Young Records. 'China Rock' was an original instrumental written by Dudú himself which entered Brazilian rock history as being the very first guitar riff ever recorded in the land. 

Lee Pockriss & Paul Vance's 'Valentina my Valentina' was the B-side where the other 3 newer members had a chance to sing it in English. Both songs had a fairly good air-play but only 'China Rock' became a classic.
Celly Campello at her TV show having The Avalons in the back wearing striped shirts and being cool while Celly sings accompanied by another band. 'Programa da Juventude' started on 10 October 1959; it changed its name to 'Crush in Hi-Fi', then to 'Celly & Tony in Hi-Fi' and lasted until 1962.
The Avalons' singles released by Young

Y-45-100 – China Rock (Dudú) / Valentina, my Valentina (Lee Pockriss-Paul Vance)
Y-45-104 – Rebel rouser (Duane Eddy-Lee Hazlewood) / All the time (Solano Ribeiro)
Y-45-111 – Come softly to me (Troxel-Christopher-Ellis) / Baby talk (Melvin Schwartz)
Y-45-112 – Here come the Avalons (Dudú) / Believe me

The Avalons recorded a single for RGE in 1961.

The eyes of Texas are upon you (John Sinclair) / No. 13 (Dudú)

The same tracks were added to an EP where The Avalons accompanied Galli Jr.

1. The eyes of Texas are upon you
2. No. 13

1. Because I love you
2. Tell me, darling

academic work about Dudú: http://issuu.com/leolaps/docs/a_saga_de_dudu_do_banjo
Dudú's latest band with his two sons:
http://bandapapadu.blogspot.com.br/2007/08/rock-blues-e-jazz-com-banda-papadu.html

Dudú plays his guitar at TV Record in an afternoon-show when The Avalons were an instrumental trio. They were watched by Solano Ribeiro who was mesmerized by their performance and suggested The Avalons would add a vocal section comprising of Solano himself plus Passarinho (Nilton) and Robert Wing. Next step was to record 3 singles for Young Records as a sextet. 

História de The Avalons 

The Avalons foi o primeiro grupo a gravar no novo selo Young, lançado em Junho 1959 pelo DJ Miguel Vaccaro Netto, da Radio Panamericana de São Paulo, em parceria com Enrique Lebendiguer, da Fermata do Brasil. Dudú na guitarra, Daniel no contra-baixo e Paulinho na bateria, além dos vocalistas Solano Ribeiro, também compositor, Passarinho (Nilton) e o chinês Bob (Robert) Wing.  

Dudú (Francisco Eduardo de Souza Pereira) nascido em 4 Junho 1935, tocava violão e cavaquinho desde menino, tendo aprendido o baião 'Brasileirinho', de Waldyr de Azevedo, e tocando-o exaustivamente até a perfeição, chamando a atenção dos adultos para seu talento.

Em 1955, com 21 anos entra para um conjunto de jazz, convidado pelo clarinetista Luiz Fernando Mendes, que trabalhava com seu irmão Paulo Herminio de Souza Pereira (3 anos mais velho que ele) no Tribunal de Contas de São Paulo. Paulinho aprendia bateria. O conjunto veio a se chamar Paulistânia Jazz Band e logo em seguida São Paulo Dixieland Jazz Band, pois tocavam o jazz tradicional de New Orleans. Dudú deixou o violão para tocar um banjo que tinha sido de seu avô materno e estava 'encostado' desde os anos 1920, e que Dudú usava eventualmente como pandeiro.

Em 1956, os Dixielanders ganham a adição de Booker Pittman, um clarinetista norte-americano, neto do educador negro Booker T. Washington, que depois de ter tocado em Paris antes da II Guerra acabou desembarcando no Brasil e 'sumido' pelo interior do estado do Paraná. Esse foi o auge da banda. Com a saída do 'Buca', em 1958, Dudú também saiu e se interessou pelo rock'n'roll vindo dos USA.
Dudú toca seu banjo antes de formar The Avalons. 

Dudú declarou ao Diário Catarinense em 2002: 'Fiquei deslumbrado com o rock'n'roll. Antes o mundo era certinho. Mudou tudo, os costumes, as meninas, tudo ficou menos certinho. Em cidades provincianas como São Paulo, o impacto foi enorme'. 

Dudú e Paulinho, que então já mantinha bem o ritmo com as baquetas, formaram o conjunto Crazy Boys, com o baixista Daniel Grizanti (Drácula) e o cantor Badico, um jovem negro que cantava e dançava como o Little Richard. A guitarra de Dudú, na verdade um violão modificado, fora financiada por Roberto Mena Loureiro, um grande amigo. O violão foi transformado pelo pai de outro amigo, fanático por eletrônica, instalando um captador muito antigo no corpo do instrumento ligando-o a dois controles de volume mais um de timbre. 

Os Crazy Boys tocaram em vários lugares, mas como era difícil de receberem pagamento, o conjunto se desfez, principalmente porque Badico, que morava num cortiço na Liberdade tinha que trabalhar para ganhar a vida. O grupo tornou-se um trio apenas instrumental. Foi justamente nessa altura que Solano Ribeiro viu os 3 rapazes tocando num programa vespertino da TV Record e entrando em contato com eles, sugeriu que o trio virasse um sexteto, adicionando 3 vocalistas: o próprio Solano, Passarinho e Bob Win, um chinês de Hong Kong vivendo em São Paulo na época. Essa é a gênese do conjunto The Avalons, que passou então a ensaiar no porão da casa de Dudú e Paulinho, na Liberdade.

Solano Ribeiro conta a história dos Avalons em seu livro 'Prepare seu coração', lançado em 2002 pela Geração Editorial. 

‘Em 1959, ao assistir um programa vespertino pela TV, vi a apresentação de um trio instrumental composto de guitarra (Dudú), baixo (Daniel) e bateria (Paulinho), senti que estava diante de um grupo que fazia o melhor e o mais atual rock fora da matriz (USA). Imediatamente resolvi me juntar a eles. Foi uma carreira fulminante. A primeira apresentação dos Avalons aconteceu para um grupo de amigos na casa da jovem idealista Regina Helena Dias da Silva, a futura marchand Regina Boni, ao lado de seu então namorado José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que mais tarde viria a ser um dos responsáveis pelo sucesso da TV Globo.

Entre a estreia dos Avalons naquela noite e a gravação do primeiro disco se passaram apenas 15 dias. O grupo era formado por Dudú na guitarra, Daniel no baixo e Paulinho na bateria. Os vocais eram feitos pelo Passarinho, por um chinês chamado Bob e por mim, Solano Ribeiro.

Com seu violão modificado, Dudú causou sensação e discussão em quem ouvia o 78 ou 45 rpm de 'China Rock', um agitado rock-a-billy com uma melodia que mesclava escalas orientais ao ritmo do rock  instrumental. Ele utilizou a 'técnica da palhetada', desenvolvida com seu banjo durante seu tempo no jazz. Todos perguntavam quantas guitarras solavam alucinadamente naquela gravação, Dudú respondia: 'só uma!' A técnica consistia em solar em acordes, tocando duas ou mais notas ao mesmo tempo, ao invés de apenas uma nota, o que dava a impressão de haver mais de uma guitarra tocando.

'China Rock' teve bastante exposição nas radios paulistanas, mas 'Valentina my Valentina' também ficou conhecida. Dudú lembra à Instrumental Newsletter, das dificuldades da gravação dela no estúdio alugado da Continental Discos no Largo da Misericórdia em São Paulo, já que a Young não tinha instalações próprias:

- 'As gravações eram 'ao vivo', em apenas 4 canais. Se houvesse qualquer erro, por menor que fosse, tínhamos que regravar tudo. Durante a gravação de 'Valentina my Valentina', o trio vocal, de jovens entre 19 e 22 anos (Solano, Passarinho e Bob Wing), nunca tinham entrado em estúdio de gravação, estavam nervosos e não conseguiam alcançar o tom da música. Eu era um pouco mais velho. Depois de muitas regravações, eu já meio nervoso, fui a um boteco do lado do estúdio, comprei uma garrafa de whiskey e dei p'ros rapazes tomarem um gole. Retornamos ao trabalho e gravamos 'Valentina my Valentina' numa passada só, e sem qualquer erro'.

Solano compositor (nota saída no jornal 'Ultima Hora'):  O jovem Solano Ribeiro, autor de ‘All the time’ – gravado por The Avalons na etiqueta Young, avisa que já ‘entrou para a fornalha’ mais meia duzia, pelo menos, de outras peças no gênero popular norte-americano, o rock’n’roll. Resta esperar que outros cantores inteligentes saibam aproveitar as composições de Solano, bastando para tanto comunicarem-se com o dito – que não é Benê – pelo telephone 80-50-70.  Nota: pelo prefixo do telefone, sabe-se que Solano morava na rua Cristiano Viana no bairro de Pinheiros.
Paulinho, Dudú, Paul Anka, Bob Wing & Galli Jr. (futuro Prini Lorez) em Setembro 1960. 

The Avalons eram presença certa no 'Programa da Juventude', comandado por Celly Campello e apresentado por Randal Juliano no Canal 7, TV Record aos sábados. Mais tarde o show passou a se chamar 'Crush em Hi-Fi', patrocinado pelo refrigerante Crush e posteriormente apenas 'Celly & Tony em Hi-Fi'. O programa durou de 10 de Outubro de 1959 até poucas semanas antes de Celly casar-se em Maio de 1962.

Desde 1957, com a vinda de Louis Armstrong, a Record trazia atrações internacionais periodicamente para temporadas em seu teatro na rua da Consolação, 1992. Geralmente, a TV gravava 2 ou 3 shows editando-os em um programa de 50 minutos para apresentação no Canal 7, em  horário nobre. Foi assistindo The Ink Spots, legendário conjunto de rhythm'n'blues, no Teatro Record, de 22 a 28 de março de 1960, que Dudú fez amizade com o guitarrista deles, que lhe deu alguns toques sobre blues.
Paulo Hermínio, Francisco Eduardo & Paul Anka in September 1960. 

Quando a Record trouxe Paul Anka, em Setembro de 1960, a gravadora Young já tinha encerrado suas atividades, e o sexteto Avalons já não existia mais, tendo revertido à sua origem de trio instrumental: Dudú, Paulinho e Daniel. A Record precisava de um conjunto para abrir os espetáculos de Paul e The Avalons foram os escolhidos, tendo como crooner o Zézinho, ex-Rebels, colega do selo Young, agora usando o pseudônimo de Galli Junior. Foram 9 shows de 20 a 25 de Setembro de 1960, antecedendo Paul Anka, com um teatro constantemente lotado e a algazarra dos brotos à mil, que se espalhava pela rua da Consolação parando o trânsito dos bondes, ônibus e automóveis. São Paulo experimentava a mesma atmosfera dos famosos shows do DJ Alan Freed no Brooklyn, em New York.

Devido ao sucesso dos Avalons tendo José Gagliardi Jr. como crooner - eles foram contratados pela RGE e lançaram um extended-play (compacto-duplo) em 1961. Essa foi a última atividade dos Avalons como grupo, pois logo em seguida Dudú partiu para Marselha e Paris, seguindo o exemplo de Booker Pittman que tinha feito esse caminho em 1934. Dudú tocou nas ruas de Paris, fez dupla com Heloisa Helena Buarque de Hollanda, mais conhecida como Miúcha, se apresentando na Sorbonne e depois viajando pela Italia e Grécia.

Galli Jr. acompanhado por The Avalons abre o show para Paul Anka em Setembro de 1960 no Teatro Record.
Paulinho, Daniel, Galli Jr. & Dudú in 1961.
capa do EP dos Avalons, agora tendo Galli Jr. nos vocais - RGE 1961

leia mais sobre a vinda de Paul Anka a São Paulo:
http://cartazes-internacionais-no-brasil.blogspot.com.br/2012/06/paul-anka-1960.html

Solano Ribeiro (right) went on to become big in show business on TV Excelsior and then TV Record. He was the man who organized all those song festivals that virtually stopped the country in their final nights.
22nd October 1961 - at Teatro de Arena, The Avalons finally reverted to their original sound after having played rock'n'roll in 1959 and 1960. OESP columnist Mary Wynne says The Avalons were: Dudú at leading guitar, Massao Ukon blowing his horn, Heitor Costa at clarinet, Paulinho at the drums and Daniel at the bass.