Thursday, 28 June 2012

RGE para a Juventude 1960 - 1965

RGE - Radio Gravações Elétricas - was initially a recording studio that supplied radio stations with jingles and commercial recordings. José Scatena, its director used to travel to the USA oftentimes to buy state-of-art equipament for his company. Record buying was in the ascendancy in the mid-fifties so Scatena thought it might be a good idea to turn RGE into a proper record label. 

'Convite para ouvir Maysa', a 10" long-play, was RGE's first release in 1956. By 1958, RGE had become a big label releasing 78 rpms or 33 rpms of orchestras (Enrico Simonetti, Pocho), combos (pianist Robledo's group) and singers (Agostinho dos Santos, Roberto Luna) competing with multinationals like RCA, Columbia, EMI's Odeon or Brazilian labels like Copacabana and Continental. 

Rock'n'roll had made its inroads in Brazil circa 1957. In 1959, Celly Campello's 'Estúpido cupido' (Neil Sedaka's 'Stupid cupid') went to the top of the charts heralding a new age for the very young: they mattered now! Kids bought records! 

José Scatena knew he had to cater for this new market so his search for new talents of the rock persuasion started for good. Here's a little story of how RGE branched into Brazilian rock'n'roll. 

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Em 1960, Celia Vilela foi convidada pela RGE, para entrar no lucrativo mercado de gravações para a 'juventude' - leia-se rock'n'roll - dominado por Celly Campello da Odeon, Carlos Gonzada da RCA Victor e Sergio Murilo da Columbia. Não se sabe as razões pela qual Vilela nunca conseguiu emplacar em discos, quando ela era bem conhecida no Rio, onde teve programa de radio, colunas em 'Cinelândia' e 'Filmelândia', além de ser amiga de Jeanette Adib, diretora da 'Revista do Rock'.
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Em 1961, a RGE reforçou seu 'cast' juvenil, juntando em um compacto-duplo os instrumentalistas de The Avalons e o cantor Galli Junior, 'exilados' da gravadora independente Young, que encerrou suas atividades na metade de 1960.

A contra-capa do EP 'Juventude, Juventude, Juventude' conta uma história toda fantasiada dessa nova formação dos Avalons. Não há nada de verdade aí, a não ser o fato de Dudú e Paulo Hermínio serem irmãos. The Avalons já existia desde os tempos da gravadora Young e José Gagliardi Junior, o Galli Jr. era crooner dos Rebels.

Eram três... Francisco Eduardo de Souza Pereira [mais conhecido como Dudú], Paulo Hermínio de Souza Pereira, irmão do Dudú, e Daniel Grizanti. Os 2 irmãos Souza Pereira, exímios tocadôres de guitarra e bateria, conheceram Grizanti - contrabaixista de grandes recursos técnicos - numa festinha e após um incendiado diálogo musical, decidiram formar um trio e decidiram pela denominação 'Avalons'.

Tornaram-se quatro... José Gagliardi Junior, outro jovem estudante que aderiu aos rítmos de Tio Sam, conheceu The Avalons num espetáculo e apresentou-se como 'cantor amador'...

A face A desse extended-play é formada por 2 números instrumentais, portanto dela só participam os instrumentistas, menos o Galli Junior. 'The eyes of Texas are upon you' é um velho tema texano divulgado pelo filme 'Giant' [Assim caminha a humanidade], que recebeu excelente tratamento por parte do conjunto. A faixa 'Numero 13' é composição de Dudú - chefe técnico e artístico dos Avalons - e revive o jazz tradicional através de tempos lentos e melódicos.

Na face B, Galli Jr. apresenta-se como vocalista e autor de 'Because I love you', uma balada-calypso de cativantes colorações rítmicas, e 'Tell me, darling', um rock no bom estilo.
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Em 1962, a RGE lança o LP 'Da Juventude para a Juventude', aproveitando Nick Savoia e Antonio Claudio (mudou seu nome para Danny Dallas), dois 'orfãos' da defunta Young mais George Freedman que vinha da gravadora California. 
Extended-play 'Em tempo de Rock' de Danny Dallas, pseudônimo de Antonio Claudio, egresso da gravadora Young.

1.  Noite para amar [Tonight, my love, tonight] de Paul Anka; versão de Fred Jorge
2.  Just walking in the sand [Danny Dallas-Vercos]

1.  No mundo da lua [Cecílio Leal]
2.  Mary Lou [Danny Dallas-Vercos]

O texto da contra-capa do EP de Danny Dallas é só fantasia. O departamento criativo da RGE era de uma imaginação sem limite:

Lançado através de um 78rpm - Danny Dallas deixou de ser um obscuro cantor incógnito, para ganhar um lugar ao sol no campo da canção popular. Paulista de nascimento, estudante de Direito e com vocação artística extranatural, resolveu-se plea musica americana, aproveitando seus profundos conhecimentos de inglês, e dela fez seu estandarte de carreira. Não, não é um snob ou mau brasileiro! Tivesse nascido nos Estados Unidos e seria hoje um dos ídolos da juventude! Tendo nascido no Brasil, poderia ensinar a muito 'cobra' estadunidense como cantar a sua música!



George Freedman
George Freedman com fãs e Bobby de Carlo na Radio Nacional paulista em 20 Janeiro 1962.
José Scatena, dono da RGE, contrata George Freedman em 8 Fevereiro 1962.
Da esquerda p'ra direita: fã, o cantor Fernando José, fã, George Freedman depois de assinar contrato com a RGE, seu empresário Antonio Aguillar, o maestro uruguayo Pocho e compositor Benil Santos. 
Em 1962, aproveitando o sucesso de Bobby Darin com 'Multiplication', da trilha-sonora de 'Quando Setembro vier' - a RGE lançou esse microssulco com George Freedman.
Pessoal da RGE em 1962. O maior cartaz era Miltinho, que vendia centenas de milhares de discos. A pessoa que colocou nome nas fotos não tinha muita noção: Elza Laranjeira, na verdade, não está nessa foto...
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Em 1963, a RGE, ainda não sabendo bem o que fazer, lança esse LP instrumental de The Bells, tentando aproveitar o sucesso dos Jet Blacks, da Chantecler, que levaram 'Apache' ao 1o. lugar das paradas, The Clevers, da Continental e The Jordans, da Copacabana. O esquema era copiar as faixas de conjuntos instrumentais como The Shadows e The Ventures. Um disco totalmente instrumental com rocks e twists, que hoje são mais conhecidos como 'surf music' dos anos 60.

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LP 'Twist, Hully-Gully e Cleide Alves' - 1964 - acompanhada por Renato & seus Blue Caps. 

Finalmente em 1964, a RGE se convence que, realmente precisa de um 'setor de juventude' e vai ao Rio de Janeiro, novamente, para a construção de seu cast. Contrata Cleide Alves, que gravava pela Copacabana, mas estava meio esquecida - e entra de sola - tardiamente -  na onda do twist e do hully-gully.

'O terror dos namorados' - Erasmo Carlos grava na RGE em Abril de 1964.

Mas o grande trunfo da RGE é a contratação do cantor Erasmo Carlos, que era muito bem relacionado nos meios de 'rock'n'roll' no Rio de Janeiro, sendo parceiro de Roberto Carlos e ex-participante de conjuntos como The Snakes e Renato & seus Blue Caps.

P R I N I     L O R E Z

Mas o grande trunfo da RGE em 1964 foi um golpe baixo. José Scatena, aproveitando que Trini Lopez ainda não tinha sido lançado no Brasil, embora estivesse no topo das paradas dos USA e Europa, mais que depressa, ajuntou Galli Junior, que cantava todas as noites na boite Lancaster, acompanhado pelos Jet Blacks, o melhor conjunto instrumental do país - os colocou no estúdio, gravou 12 músicas que Trini Lopez cantava, mudou o nome de Galli Junior para Prini Lorez e vendeu centenas de milhares de compactos-simples e LPs.  

 'America' foi o 1o. single do LP de Prini Lorez... e ficou entre os 5 mais vendidos da Parada.
Mal terminou o sucesso de 'America' a RGE lançou 'La Bamba' com Prini Lorez que foi direto p'ro 1o. lugar.
RGE lança Erasmo Carlos com 'Minha fama de mau' em Setembro de 1964. 
The Beverlys, os ultimos 'exilados' da antiga Young, finalmente gravam em português: 'Anjinho da gang' - 1964.  Acoplado com 'La cucaracha' ainda tentando aproveitar o sucesso de 'La bamba', gravado pelo seu colega Galli Junior [Prini Lorez].

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Prini's extended-play (compacto-duplo) recorded in 1965 with background vocals by The Beverlys.

The Bells em 1965, ainda tentando achar seu lugar ao sol, com musicas jovem-guarda e italiana. No caso de uma não pegar, quem sabe a outra 'aconteceria'? O maior sucesso dos Bells foi 'Macaca Foo'.

LP de The Bells em 1966.

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