Wednesday, 23 May 2012

1954 - 1958 Celia Vilela's pre-rock years


Nota: a citação mais antiga à Celia Villela que eu achei em minhas pesquisas é uma nota na Revista do Radio de 27 Outubro 1953, seção MINAS, de Wilson Angela, dizendo que Celia iria logo gravar para a REGENTE, uma nova gravadora.


24 HORAS NA VIDA DE CELIA VILELA


Revista do Radio, 23 Outubro 1954.
Radiante nos seus 17 anos [na verdade eram 16 anos, já que Vilela nasceu em 1936], Celia Vilela veio de Minas Gerais para o radio carioca. É sangue novo e voz gostosa chegando aos ouvintes cariocas [e de todo Brasil] pelas Emissoras Associadas de radio e TV. Vamos encontrá-la aqui em um dia de sua vida.

Para que acordar cedo? Celia Vilela deixa o leito quando o relógio bate 9 horas. É, assim mesmo, com uma certa relutância. Brôto, Celinha vai direta ao espelho verificar como anda a beleza exuberante dada por Deus.

Depois da toalete, o remédio é fazer hora, desde que a Radio Tupi não exija sua presença para um matinal programa, haverá, aí, a arrumação de coisas-da-casa, a leitura-de-revistas e o estudo, claro, de novas melodias para o seu repertório.

O almôço é ao meio-dia. Sem ligar muito para regimes – ela não precisa engordar ou emagrecer! – Celia Vilela ‘enfrenta’ um tutú à mineira ou qualquer coisa bem brasileira. Morando em Niterói ela aproveita a tarde para ir à praia.

Antes que chegue a noite, Celia da Conceição Vilela, que fará 17 anos no dia 24 de novembro próximo, ainda arranjará tempo de ir ao cinema, ou fazer compras.

E chega o momento de pegar a lancha da Carioca. A cantora dos bailões atravessará a baia de Guanabara e irá à Radio Tupi ensaiar e cantar num estilo todo seu, as músicas saltitantes. Pode ser que haja, também, programa na TV.

Depois da radio, volta para casa. De novo a travessia marítima, o chegar a casa e o jantar. Se não é muito tarde, Celia Vilela responderá às cartas dos fãs, escreverá para os parentes ou, então, jogará inúmeras partidas de ‘buraco’.

Meia-noite? Hora de dormir. Pensando nas emoções do dia, imaginando como será o seu príncipe encantado, Celia Vilela passa em revista os jornais, ouve radio e fica assim até a chegada da 1 ou 2 horas. Depois, dorme.



Celia Villela usava a barca Rio-Neterói todos os dias para trabalhar na Radio Tupi. 


entrevista 'picante' de Célia à Radiolândia

 

RADIOLÂNDIA – 23 OCT 1954 – Ademilde Fonseca na capa.


CÉLIA VILLELA indiscretíssima em nosso QUESTIONÁRIO INDISCRETO

Sua idade?
17 anos.

É a que está na certidão de nascimento?

Sim, nasci no dia 14 de novembro de mil-novecentos-e-não-sei-o-que, pois não lembro o ano.

Em que posição dorme?
Nem sei, pois passo a noite tôda me rebolando, como se estivesse no palco e geralmente, quando faz calor, durmo sem as principais peças.

Acorda pensando em pisar antes com o pé direito?
Acordo danada da vida, que nem tenho pé para pisar.

Canta no banheiro? 
No banheiro só faço tomar banho, n’é mãe? [sua mãe estava ao seu lado].

Quando o sabão escorrega das mãos, fica zangada?
Nem ligo!

Quando a água não vem, em quem pensa votar nas próximas eleições?
Não tenho título de eleitora, n’é, mãe?

Quantos amores únicos e maiores já teve?
Vivo constantemente apaixonada e mudando de namorado, por isso não sei.

Sente dificuldades em ser fiel?
Não, porque costumo namorar uns dez ou oito ao mesmo tempo.

Que acha da poligamia?
Sei lá, cada um que trate de si.

Prefere os magros ou nutridos?
Fortes, bem fortes e que sejam oficiais do exército, ando louca atrás de um n’é, mãe?

Acredita em amor à primeira vista?
Esse negócio de amor à primeira vista é fogo.

E no amor eterno?
Só de mãe.

A maconha, não, por favor!

 

Qual o santo de sua devoção?
São Jorge e Santo Antonio. Um porque anda fardado e o outro porque é casamenteiro.

Vai aos Capuchinhos para tirar o pêso?

Em Belo Horizonte não tem êsse negócio de Capuchinhos, a gente vai é mesmo às ‘Roças Grandes’, e sai pronta p’ra enfrentar o azar.

Acha que despacho resolve os casos de amor?
Dá é dor de cabeça e bôlso vazio.

Acredita que num casamento por conveniência o amor possa vir depois?
Onde há dinheiro há confôrto, havendo confôrto haverá felicidade, n’é mãe?

Costuma pedir a benção a algum pai de santo, num bom terreiro?
Pois se eu já vivo com o ‘Santo’ no corpo, p’ra que terreiro?

Entre o whiskey e a cachaça, qual prefere?
Engraçado, gosto de cerveja e detesto chopp, já viram isso!!!

Qual o número de sua predileção?
Gosto do 13.

Algum número dá azar?
P’ra mim não, n’é, mãe?

Que tipo de cigarros prefere?
Ainda não fumo, mas, mais cedo ou mais tarde, vou acabar fumando, é moda.

Aceita um de maconha para experimentar?

Nem fale em maconha perto de mim. Um dia, eu e mais três amigas resolvemos experimentar a tal de maconha. Fomos para a casa de uma delas e, deitadas na cama, de mãos dadas e bem apertadas, [era mêdo] fizemos conforme haviam nos ensinado. Nossa Senhora! Nem quero lembrar. Senti uma zoada, uma tonteira. Parecia que estávamos de pernas para o ar. Nem quero lembrar, foi uma desgraceira, Nossa Senhora!

Lê gibí, X-9?

Leio tudo quanto é história em quadrinhos, policial e de amor, n’é mãe?

Já viajou em trem da Central, em hora de movimento?

Só fiz uma viagem, mas a coisa foi tão louca, que um grupo de estudantes, resolveu, no final da viagem, coroar-me a ‘Rainha dos Flagelados da Central’. Nunca me diverti tanto em tôda a minha vida.

Quando está num elevador e a Light desliga o circuito, que tem vontade de fazer?

Isso já me aconteceu uma vez. Ia num elevador apinhado de gente, tirando um namorisco com um rapaz que tinha uma cara muito sem-vergonha. Ao meu lado vinha uma senhora muito gorda. De-repente o elevador parou e as luzes apagaram-se. Nem pensei duas vêzes, enfiei-me atrás da dona gorda e fiquei rindo da cara que o rapaz devia estar fazendo quando achou o meu lugar vago.

Qual o número de seus sapatos?
Calço 33 e tem que ser salto muito alto, ou então chinelo, comigo é assim, ou 8 ou 80, não faço por menos.

E a cinturinha como anda?
58, muito bem medido.

Se estiver fazendo dieta e aparecer uma boa feijoada, que fará?
Não posso ver gordura na minha frente. A melhor coisa da vida é comer.

Quem foi seu primeiro namorado?
O nome eu não lembro, mas sei que ainda estávamos no Jardim de Infância.

E o último?
Foi um rapaz que vinha andando atrás de mim, aí na Avenida Rio Branco, ainda agora mesmo, n’é,mãe?

Já jogou bola de gude?
Sou até campeã de ‘fina’, em minha terra.

Teve alguma paixão secreta por professor ou coisa parecida?

Sempre ficava apaixonada pelos meus professores na época de provas, só para tirar boas notas, eu sou boba!


Celia Vilela & Dalva de Oliveira - RR 20 Oct 1955.



Revista 'Clube dos Ritmos' [Daniel Taylor] de Maio 1955:  Dezessete anos, Celia Vilela, brejeira e trigueira, era, em Minas, a 'Rainha do Baião'. No Rio, na Radio Tupi vai consolidando uma posição, agradando muito ao auditório. Vai gravar! 


Celia Vilela fez uma 'ponta' no filme 'Trabalhou bem Genival!', veículo de Ronaldo Lupo, em 1955.


No comments:

Post a Comment